acubens museu virtual de cancer

Menu
Audiodescrição

Libras

Saiba mais
Área - painel 1

Elevada poluição do ar na Avenida Brasil e Túnel Rebouças é tema de pesquisa

Por Priscila Biancovilli

Pesquisadores do Laboratório de Mutagênese Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com apoio da Faperj, constataram que a Avenida Brasil e o Túnel Rebouças – dois dos mais movimentados pontos da cidade – apresentam índices de poluição do ar acima do aceitável. Entre outros problemas, esta exposição ao ar poluído pode provocar a carcinogênese.

Israel Felzenszwalb, professor e biólogo do Laboratório, afirma que “o grupo desenvolve pesquisas que utilizam sistemas biológicos de respostas de curta duração a esses agentes, medindo, entre outros, o índice de mutagenicidade (IM) que pode ser atribuído a eles”. A pesquisa, que começou a ser feita em 2008, aponta variações entre 9 e 23 no IM do túnel, e
entre 3 e 4 na Avenida Brasil.

Para medir a qualidade do ar nessas vias são utilizados Amostradores de Grande Volume (AGV), equipamentos que determinam a concentração de partículas totais em suspensão na atmosfera. Na Avenida Brasil, o AGV está instalado no Ciep Leonel de Moura Brizola, na altura de Ramos. Já no túnel Rebouças, há outro equipamento idêntico entre as duas galerias, próximo à Lagoa. “A medição é feita através da retenção nos filtros do material particulado, eluído com diclorometano, e analisado por HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) para medição do IM”, explica Israel. “Há muitos tipos de poluentes na atmosfera. Avaliamos apenas alguns, cerca de 10% dos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) provenientes da queima de combustíveis. Estes HPAs são capazes de provocar mutação mesmo sem sofrer qualquer tipo de metabolização”, continua.

Após a coleta do material, o filtro recolhido do Amostrador de Grande Volume é lavado, e o material submetido ao ensaio bacteriano de Ames. Este teste fornece informações sobre a capacidade de agentes físicos e químicos induzirem ao desenvolvimento de mutações no material genético das células. A partir dessa informação, pode-se determinar o IM nesses locais.

Outro procedimento técnico adotado no estudo é o teste de micronúcleo, utilizando a planta Tradescantia pallida var. purpúrea. Conhecida popularmente como coração-roxo, essa espécie ornamental, comum no Rio, funciona como um termômetro natural da presença de substâncias mutagênicas no ar, sendo por isso considerada um ótimo bioindicador. “O teste de micronúcleo com a Tradescantia é considerado um excelente bioindicador pela simplicidade da metodologia e pela sensibilidade da planta aos agentes genotóxicos”, diz Felzenszwalb.

Os pesquisadores colocaram algumas mudas do coração-roxo em pontos estratégicos da Avenida Brasil e do Túnel Rebouças. As plantas colocadas no Rebouças morreram em poucos dias, assinalando que a poluição no local está bem acima da sua capacidade de sobrevivência.

“Não temos interesse em causar pânico, mas, sim, em conscientizar a população e os governantes, que devem buscar programas e pesquisas que contribuam para a nossa qualidade de vida”, afirma Israel. “O mundo moderno aumenta nossa exposição aos agentes físicos e químicos naturais capazes de induzir o surgimento de doenças degenerativas, como o câncer.

A resolução desses problemas demanda mudanças comportamentais que dependem de movimentos da sociedade. No que diz respeito à poluição pelos veículos, devemos criar métodos alternativos de queima de combustíveis, com novas fontes de energia, e também pensar em soluções que melhorem a ventilação nos túneis”, conclui o professor.

(Fonte: Onconews, 2010)

http://www.oncobiologia.bioqmed.ufrj.br/noticias_onconews_detalhes.asp?id=406

desenvolvido por corbata informatica